T. 82 Cultura Gaúcha

 Turma 82

Roteiro: Gaúcho Não Deixa de Ser Gaúcho   

PERSONAGENS:

  • NARRADOR: Vestido com pilcha formal. Conduz a história com entusiasmo, olhando para o público.

  • PAI (BETINHO): Gremista fanático, usa camisa do Grêmio.

  • MÃE (BIA): Colorada fanática, usa camisa do Internacional.

  • GAÚCHO (José): O protagonista. Começa a encenação como um "bebê" crescido e passa por todas as fases da vida.

  • PRENDA (ANITA): Parceira de dança e de mate de José.

  • SÃO PEDRO CAMPEIRO: O guardião da Estância Divina, vestido de pilcha branca ou bombacha e lenço.


CENA 1: O Berço Farroupilha

NARRADOR: (Ao público) A cultura gaúcha aparece em vários detalhes do cotidiano. O gaúcho vive com essa cultura desde cedo e até o fim da vida. Tudo começa no berço, onde o pequeno vivente já sofre a primeira grande pressão psicológica da vida.

PAI (BETINHO): (Balançando a camisa do Grêmio) Olha aqui pro papai, meu herói! Tu vai ser Tricolor! Grêmio é copeiro! Dá o primeiro "grito de gol" pro papai, dá!

MÃE (BIA): (Empurrando o Pai com o ombro e mostrando a camisa do Inter) Sai daí, Betinho! Não ouve ele, meu anjo. Tu vai ser Colorado, o Campeão de Tudo! Romântico e vermelho como o coração da mamãe! Escolhe logo!

GAÚCHO (José): (Olha para um lado, olha para o outro, bota as mãos na cabeça e chora como bebê) Buaaa!




CENA 2: A Segunda Casa e as Quatro Estações

NARRADOR: O bebê cresce e descobre sua segunda casa: o CTG, Centro de Tradições Gaúchas. É lá que ele aprende as danças, as roupas e a honrar o passado. E quando chega a Semana Farroupilha... Bueno, aí vai todo mundo para o Parque Harmonia! É churrasqueada e música noite e dia!

(Toca uma gaita de fundo. José e Anita dão uns passos de dança tradicional gaúcha, sorrindo e batendo os pés).

NARRADOR: Mas nem tudo é festa. O gaúcho também sofre com o clima muito típico daqui do Sul. Aqui a gente tem várias estações do ano no mesmo dia. É o famoso... "efeito cebola".

(José entra em cena visivelmente congelado, vestindo casaco grosso, poncho, cachecol e touca, batendo os dentes).

GAÚCHO (José): (Tremendo) Mas que barbaridade... São sete da manhã e o minuano tá cortando a carne!

(O Narrador faz um gesto de "o tempo passou". Uma luz amarela forte acende. José começa a suar e a tirar o poncho).

GAÚCHO (José): (Tirando o casaco e o cachecol) Meio-dia e o sol tá de rachar o lombo!

(José fica só de camisa de manga curta, abanando-se com o chapéu. De repente, Anita joga um balde de confetes azuis/brancos ou faz som de tempestade).

GAÚCHO (José): (Olhando para o teto, indignado) E agora armou o dilúvio! Vai chover por duas semanas seguidas! Chove mais que no tempo de Noé!




CENA 3: O Mate e o Dialeto

(O temporal passa. José e Anita sentam-se em duas cadeiras de praia, encenando um parque).

NARRADOR: Para aguentar o tempo e a rotina, o mate faz parte do cotidiano, com amigos tomando chimarrão no parque e falando sobre a vida. É aí que o nosso dialeto próprio ganha asas.

(Anita prepara o mate cenográfico e passa para José).

PRENDA ANITA: Toma um mate, José. Tu tá com uma cara feia hoje, o que houve?

GAÚCHO (José): (Dá um gole no mate, puxando o ar, e suspira) Bah! Tô atucanado, Anita! O chefe me incomodou, o carro estragou... Tô mais perdido que cachorro em tiroteio.

PRENDA ANITA: (Pega o mate de volta) Deixa de drama, vivente. Bebe o mate que passa.


CENA 4: O Dia de Grenal

(O Pai e a Mãe voltam correndo ao palco, cada um de um lado, apontando o dedo um para o outro. José e Anita entram na dança, cada um defendendo um lado).

NARRADOR: O gaúcho esquece os problemas quando o assunto é futebol. No dia de Grenal, é festa desde cedo! Cada torcedor exaltando o seu time... e, claro, falando mal do outro.

PAI (BETINHO): (Gritando) Hoje os teus "morangos" vão chorar no Beira-Rio, Bia! O Grêmio vai dar um baile!

MÃE (BIA): (Respondendo alto) Chora tu! Vocês vão ver o que é time de verdade! O Inter vai amassar vocês!


CENA 5: A Querência Eterna

(A luz fica azulada, celestial. Todos congelam e caem no chão dramaticamente, exceto José, que caminha até o centro. São Pedro Campeiro aparece no fundo com uma prancheta).

NARRADOR: E a tradição é tão forte que acompanha o gaúcho até o fim. Até na morte o gaúcho é diferente! Um paulista ou um carioca, quando morre, vai para o céu. Mas o gaúcho não! Aqui nós vamos para a Estância Divina, também conhecida como... Querência Eterna.

(José caminha até São Pedro Campeiro).

SÃO PEDRO CAMPEIRO: Seja bem-vindo, José. Chegaste na grande fazenda do Senhor. O paraíso em forma de estância.

GAÚCHO (José): (Olhando em volta, impressionado) Bah, mas que linda essa querência! Mas escuta aqui, São Pedro... O que é que tem para fazer por aqui?

SÃO PEDRO CAMPEIRO: (Dando um tapinha nas costas de José) As mesmas coisas de quando tu estava vivo, tchê! Ali na frente tem um Grenal começando, o fogo do chão já tá aceso pro churrasco, a patronagem tá organizando o fandango e, ó... te prepara que o minuano vai soprar frio daqui a pouco!

GAÚCHO (José): (Abre um grande sorriso, pega uma cuia de mate que estava na cintura e grita para o céu) Graças a Deus! Gaúcho não deixa de ser gaúcho nem depois de morto! Toca o fandango, gaiteiro!

(Todos os atores se levantam rapidamente, dançam uma comemoração final enquanto a luz se apaga).

NARRADOR: (Ao público) E assim segue o gaúcho, nesta vida e na outra! Muito obrigado!

(FIM)